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NO TOPO SEM SUAR

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Ninguém em LINONGO se lembrava exatamente quando a regra antiga deixara de ser obedecida. Sabia-se apenas que estava escrita desde os primórdios: do suor do rosto viria o pão . Era assim que os velhos de Maho , a aldeia-mãe, ensinavam aos mais novos. Mas com o tempo, a cidade cresceu, ganhou muros, cargos, vaidades e decidiu que suar era coisa de quem ficava em baixo. LINONGO passou a acreditar nos atalhos . No bairro de Muzi , vivia a família que mais parecia um retrato da própria cidade. Citiengo , o primogénito, fora o primeiro a subir. Não porque soubesse, mas porque aprendera a agradar. Subiu depressa e nunca olhou para trás. Museza , sua sombra fiel, seguiu-o sem perguntas. Cisoló , inquieta e contraditória, sabia demais para confiar em alguém, mas pouco para confiar em si mesma. Kanawa acreditava que a vida recompensava apenas os bem-aventurados, não os persistentes. Yuma , a mais bela, confundia portas abertas com merecimento. Muntu , pessimista por vocação, previa o fracass...

HIPÓCRITAS, COVARDES, DESUMANOS.

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É isso que vocês são. Sem maquiagem, sem rodeios, sem palavras bonitas para suavizar a vossa miséria moral. Vivemos cercados de gente podre por dentro. Gente que diz não ter 2.000 Kz para comprar um comprimido, um soro, uma ampola que poderia manter alguém vivo por mais um dia. Mas quando a pessoa morre, aí o dinheiro aparece como mágica. 5.000, 10.000, 20.000 Kz , tudo para fazer figura no óbito, tudo para alimentar o ego, tudo para parecer humano diante dos outros. Vocês não amam pessoas. Vocês amam plateia. É nojento ver alguém morrer por falta de 1.500 Kz, enquanto depois fazem contribuições de 70.000 Kz para caixão, panos, comida e protocolo. Preferiram investir na morte do que salvar a vida. Isso não é pobreza, isso é crueldade consciente. Andem pelas ruas do Chitembo e olhem direito, se ainda tiverem vergonha. Pessoas largadas como animais, doentes, fracas, esquecidas. Muitos não são malucos. São pessoas quebradas, doentes, traumatizadas, que precisavam apenas de tratamento, c...

A JORNADA DE MUMBUÉ

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Na aldeia de Kilombo, cercada por densos Cachinguas e banhada pelas águas calmas do rio Malembo, vivia a família Chitembo. O patriarca, Senhor Chitembo, era conhecido por sua rigidez e pelas regras intransigentes que ditavam cada detalhe da vida de seus filhos. Ele acreditava que a autoridade era a chave para a ordem, e não aceitava que ninguém questionasse suas decisões. Seus cinco filhos – Cachingues, Malengue, Mutumbo, Soma-Kwanza e o mais jovem, Mumbué – cresceram sob o peso desse controle. Desde pequeno, Mumbué se destacava por sua visão diferente da vida. Ele sonhava com liberdade e com o direito de fazer suas próprias escolhas, algo que contrastava profundamente com o desejo de controle do pai. Enquanto os irmãos mais velhos se conformavam com as ordens de Chitembo, Mumbué se sentia sufocado pela falta de autonomia. O Peso das Regras Cachinguês, o mais velho, aceitava tudo em silêncio. Trabalhava arduamente nas lavouras de mandioca, acreditando que sua obediência era o que suste...