NO TOPO SEM SUAR
Ninguém em LINONGO se lembrava exatamente quando a regra antiga deixara de ser obedecida. Sabia-se apenas que estava escrita desde os primórdios: do suor do rosto viria o pão . Era assim que os velhos de Maho , a aldeia-mãe, ensinavam aos mais novos. Mas com o tempo, a cidade cresceu, ganhou muros, cargos, vaidades e decidiu que suar era coisa de quem ficava em baixo. LINONGO passou a acreditar nos atalhos . No bairro de Muzi , vivia a família que mais parecia um retrato da própria cidade. Citiengo , o primogénito, fora o primeiro a subir. Não porque soubesse, mas porque aprendera a agradar. Subiu depressa e nunca olhou para trás. Museza , sua sombra fiel, seguiu-o sem perguntas. Cisoló , inquieta e contraditória, sabia demais para confiar em alguém, mas pouco para confiar em si mesma. Kanawa acreditava que a vida recompensava apenas os bem-aventurados, não os persistentes. Yuma , a mais bela, confundia portas abertas com merecimento. Muntu , pessimista por vocação, previa o fracass...