HIPÓCRITAS, COVARDES, DESUMANOS.

É isso que vocês são. Sem maquiagem, sem rodeios, sem palavras bonitas para suavizar a vossa miséria moral.

Vivemos cercados de gente podre por dentro. Gente que diz não ter 2.000 Kz para comprar um comprimido, um soro, uma ampola que poderia manter alguém vivo por mais um dia. Mas quando a pessoa morre, aí o dinheiro aparece como mágica. 5.000, 10.000, 20.000 Kz, tudo para fazer figura no óbito, tudo para alimentar o ego, tudo para parecer humano diante dos outros.

Vocês não amam pessoas.

Vocês amam plateia.

É nojento ver alguém morrer por falta de 1.500 Kz, enquanto depois fazem contribuições de 70.000 Kz para caixão, panos, comida e protocolo. Preferiram investir na morte do que salvar a vida. Isso não é pobreza, isso é crueldade consciente.

Andem pelas ruas do Chitembo e olhem direito, se ainda tiverem vergonha. Pessoas largadas como animais, doentes, fracas, esquecidas. Muitos não são malucos. São pessoas quebradas, doentes, traumatizadas, que precisavam apenas de tratamento, cuidado, presença familiar. Mas vocês preferiram o conforto do silêncio e da indiferença.

O mais revoltante é ver familiares diretos bem vestidos, bem alimentados, bem apresentados, enquanto o próprio sangue dorme na rua, come do lixo e pede esmola. Isso não é falta de dinheiro — isso é falta de alma.

Depois da morte, começa o teatro.

Choros forçados. Discursos falsos. Protocolos exagerados. Aparecem parentes que nunca ajudaram, nunca visitaram, nunca gastaram um kwanza em vida, mas querem sentar na primeira fila do óbito. Querem ser vistos. Querem aplausos. Querem parecer bons.

Escutem bem:

  • O vosso dinheiro depois da morte não serve para nada.
  1. Não cura.
  2. Não ressuscita.
  3. Não limpa a vossa consciência. É lixo emocional embrulhado em notas.
  • Assumir o óbito inteiro não te faz herói. Faz-te cúmplice da morte. A tua “bondade tardia” é apenas vaidade atrasada. Não estás a honrar ninguém, estás apenas a tentar aliviar a tua culpa podre.

Valorizem as pessoas em vida, seus farsantes.

Depois que morreu, acabou. Nunca mais. Não há culto, não há choro, não há discurso que resolva. Perdeu o pai, perdeu a mãe, perdeu o filho, perdeu para sempre. E a culpa vai pesar, mesmo que finjas que não.

E não usem Deus como desculpa. O Bom Samaritano não esperou o enterro. Ele ajudou quando o homem ainda respirava. Adorar a Deus não é gritar “aleluia” enquanto alguém morre por falta de remédio. Isso é blasfêmia.

Aprendi humanidade com o senhor Agostinho Caputo. Ele não financiava luxos inúteis, mas nunca permitiu que alguém ficasse doente por falta de medicamentos. Para ele, saúde vinha antes do dinheiro. Hoje vejo o contrário: gente que protege o dinheiro e sacrifica pessoas. Isso não é sabedoria, é idolatria ao dinheiro.

E a igreja? Em muitos casos, cúmplice. No óbito, inventam biografias, chamam de “membro fiel”, “servo dedicado”, quando em vida exploraram, ignoraram e sugaram até o último fôlego. Mentem diante do caixão sem nenhum temor. Isso não é evangelho, é teatro religioso.

Chega.

Chega de fingir.

Chega de hipocrisia.

O dinheiro que usas para impressionar na morte deveria ter sido usado para salvar a vida.

Se não foste humano em vida, cala-te na morte.

O teu protocolo não te absolve. A tua contribuição não te limpa. A tua falsidade já foi exposta.


"TENHO UMA GERAÇÃO PARA INSPIRAR"





Comentários

Verdadeiramente estou perplexo, tem muita verdade nesse texto...
Tal como diz as máximas: Pelos frutos se conhece a árvore”, as obras falam mais alto do que palavras” e o que o texto espelha, claramente é o que se observa aos dias de hoje.
Aprendamos de que não é no fim que se prova a fé, mas no caminho...

Lição de vida...
Obrigado pela partilha irmão, denominado "𝐎 𝐏𝐄𝐐𝐔𝐄𝐍𝐎 𝐄𝐒𝐂𝐑𝐈𝐓𝐎𝐑"".
𝐄𝐍𝐓𝐑𝐄 𝐂𝐎𝐑𝐏𝐎𝐒 𝐄 𝐂𝐋𝐀𝐌𝐎𝐑𝐄𝐒

‎Hoje a terra recebe mais corpos do que sementes, e as casas recebem mais lágrimas do que risos.
‎Há cadeiras vazias demais para tanta saudade, e fotografias que agora falam mais que pessoas.

‎O vento carrega nomes que ninguém quer pronunciar em voz alta, porque dizer dói, e calar rasga por dentro.

‎As mães aprendem novos dialetos:
‎✦o idioma do soluço, a gramática do luto, a poesia amarga da ausência.
‎✦Os pais passam a contar a noite em suspiros.
‎✦As crianças perguntam à madrugada quando o pai volta… e o tempo, cruel, não responde.

‎Nos hospitais, as paredes escutam o que as bocas não dizem.
‎Existem relatórios que não abraçam, diagnósticos que não explicam, e portas que se fecham rápido demais sobre perguntas lentas.

‎As famílias saem com papéis na mão
‎e vazios no peito.
‎Saem com datas, mas sem verdades.
‎Saem com causas, mas sem clareza.
‎E a dor não aceita termos técnicos, dor quer humanidade.

‎Quem devolve o sono aos que enterram sonhos?
‎Quem explica à viúva que o amor não morreu apenas mudou de morada?
‎Quem consola o filho que aprendeu cedo demais que gente não é eterna?

‎Hoje, enterra-se sem entender.
‎Chora-se sem ouvir resposta.
‎Reza-se com o céu em silêncio.

‎Mas este poema não é só lágrima.
‎Também é chama.

‎É grito contra o descaso, contra o frio das instituições, contra o cansaço da empatia.
‎É recado escrito com dor, mas enviado com esperança.

‎Hospitais devem ser casas de vida, não fábricas de mistério.
‎Devem curar feridas, mas também curar dúvidas.

‎Porque sem verdade não há descanso.
‎E sem descanso, a alma adoece.

‎Às famílias enlutadas, digo:
‎vocês não estão sozinhas.
‎As vossas lágrimas são rios invisíveis
‎que fertilizam futuros que hoje ninguém vê.

‎Ao céu, eu peço misericórdia.
‎À terra, eu peço paciência.
‎Ao povo, eu peço união.
‎E às autoridades, eu exijo humanidade.

‎Que se diga a verdade, mesmo quando ela for amarga.
‎Porque é melhor um amargo que liberta
‎do que um doce que engana.

‎Não deixem que a morte vos roube também a esperança.
‎Não permitam que a ausência
‎vos apague a fé.

‎Porque quem parte não morre inteiro.
‎Mora na memória, respira na saudade,
‎vive no amor que fica.

‎Um dia, as lágrimas vão deixar de cair como chuva grossa, e passarão a cair
‎como orvalho manso.

‎E o coração, ferido hoje, amanhã aprenderá a bater outra vez…
‎com cicatriz, mas com coragem.

‎Este é um poema de protesto.
‎Mas também é colo.

‎É punho fechado contra o silêncio, e braços abertos para os que sofrem.

‎É voz dos que choram em segredo,
‎e luz para os que enterram com dúvida.

‎Enquanto houver um coração que sangra,
‎este poema continuará de pé.

‎Enquanto houver uma mãe sem resposta,
‎este verso não se sentará.

‎Enquanto houver uma família em lágrimas, a esperança ainda respira.

𝐏𝐨𝐫: 𝐃𝐨𝐦𝐢𝐧𝐠𝐨𝐬 𝐌𝐚𝐪𝐮𝐢𝐧𝐚 ✍️
Pois é mano.
O sacrifício depois de perder é nada, precisamos mostra que amamos as pessoas quando estão em vida.
Obrigado Mano pelo incentivo, sem o vosso incentivo não seria conforme está. Já mencionei lá na FB, só consegui o nome por vossa causa 🙏🙏 Grato por isso.
Texto forte e necessário. Dá voz à dor de muitas famílias que sofrem em silêncio. Que este grito desperte mais humanidade, verdade e responsabilidade em todos nós. 🙏

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